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Sermão - Os Milagres da Morte de Nosso Senhor

Sermão - Os Milagres da Morte de Nosso Senhor

Charles H. Spurgeon 20 Páginas2026

Sinopse

INTRODUÇÃO Há momentos na história em que o céu parece inclinar-se sobre a terra, e a terra, por um instante, parece incapaz de permanecer silenciosa. A morte de nosso Senhor Jesus Cristo é o supremo desses momentos. Não foi um fim comum, nem a extinção de uma vida entre outras; foi o ato central da redenção, o ponto em que a justiça e a graça se beijam, e em que o próprio Deus, em amor santo, entrega o seu Filho para salvar pecadores. Se toda a Escritura é um caminho que nos conduz a Cristo, a cruz é o cume desse caminho; e a morte de Cristo é o coração palpitante de toda a esperança do povo de Deus. Por isso, não nos surpreende que, ao redor do Crucificado, tenham ocorrido sinais que parecem falar uma língua que ultrapassa as palavras. O Evangelho não nos apresenta apenas um corpo pendente e um brado final; apresenta, também, uma série de maravilhas que se levantam como testemunhas solenes do que realmente aconteceu ali. O véu rasgado, a terra tremendo, as rochas fendendo-se, os sepulcros abrindo-se — tudo isso não é ruído de fundo; é o próprio Deus comentando a morte do seu Filho. É como se o Pai, naquele instante terrível e glorioso, colocasse ao redor da cruz quatro tochas acesas, para que ninguém diga: “Não entendi.” Ele faz a criação pregar. Ele faz o templo falar. Ele faz a rocha confessar. Ele faz a sepultura ceder. E assim o Calvário se torna púlpito, e o universo se torna congregação. Este livro-sermão convida você a contemplar essas maravilhas com reverência e com propósito. Não estamos diante de curiosidades religiosas, mas diante de sinais que interpretam a cruz. O véu rasgado proclama que o caminho para Deus foi aberto e que os mistérios se tornaram luz para a fé. O tremor da terra anuncia que a morte de Cristo não é um detalhe na história, mas um abalo que toca o mundo inteiro e anuncia o dia em que tudo será julgado e renovado. As rochas fendidas denunciam a dureza do coração humano — e, ao mesmo tempo, proclamam que há um martelo capaz de quebrar o granito da obstinação: o amor de Deus revelado no sangue de Jesus. E os sepulcros abertos declaram que, ali, a morte recebeu sua sentença, e que a cruz carrega em si a semente da ressurreição, não apenas para o último dia, mas para a vida nova que Deus implanta hoje em pecadores mortos em delitos e pecados. Aqui, portanto, não veremos apenas o que aconteceu fora de nós. Veremos o que Deus faz dentro de nós por meio desse sacrifício. Porque os milagres da morte do Senhor não foram escritos para alimentar a mente e deixar o coração intacto. Eles nos chamam a adorar, a crer, a arrepender-nos e a entrar. A cruz não é um espetáculo; é uma porta. Ela não foi erguida para ser discutida com indiferença, mas para ser abraçada com fé. Quem passa por ela encontra acesso, encontra perdão, encontra reconciliação, encontra vida. Quem a ignora permanece do lado de fora, por mais religioso que seja, por mais moral que pareça, por mais bonito que seja o túmulo onde esconde a sua morte espiritual. Se você é do Senhor, estas páginas querem reacender em sua alma o espanto santo: Cristo morreu — e tudo mudou. Que a sua certeza seja mais profunda, que a sua gratidão seja mais viva, que a sua comunhão seja mais íntima, pois o véu não está mais inteiro. E se você ainda não conhece o Salvador, estas páginas são um convite urgente e misericordioso: contemple o Crucificado, e julgue quem é Aquele cuja morte fez a criação estremecer. Não corra para os sinais e deixe o Sol; os sinais estão aqui para conduzi-lo ao Cordeiro. Vá a Ele. Confie n’Ele. Entre pelo caminho aberto. E você descobrirá que, na morte de Cristo, há vida para o mais culpado, esperança para o mais desesperado e paz para o mais inquieto. Que o Espírito Santo, que testifica de Cristo, use estas verdades para rasgar véus interiores, abalar falsas seguranças, fender rochas do peito e abrir sepulcros de pecado — até que muitos, vivificados pela graça, saiam de suas sepulturas, entrem na cidade santa e apareçam a muitos, como testemunhas vivas do poder do Salvador crucificado. Divino Cordeiro