Capa do livro Pilatos e Jesus

Pilatos e Jesus

Giorgio Agamben

Filosofia e Ciências Sociais📅 2015🌐 Português📄 76 páginas📁 EPUB, PDF

Sinopse

A profissão de fé cristã contém um único nome próprio (ao lado daqueles de Jesus e da virgem Maria) que é totalmente estranho ao seu contexto teológico: o do pagão Pôncio Pilatos. Figura inusitada na liturgia cristã, e segundo Nietzsche "a única dos Evangelhos que merece respeito", Pilatos é o autor de frases memoráveis, como "O que é a verdade?", "O que escrevi, escrevi" e o fastídico "Ecce homo, eis o homem!", pouco antes de entregar Jesus ao suplício. Neste breve e contundente ensaio Agamben mostra como, no encontro fugaz entre Pilatos e Jesus estava em jogo um evento enorme e inédito, para além do drama da paixão e da redenção. Neste encontro irreconciliável entre o "mundo dos fatos" e o "mundo da verdade", provoca Agamben, como nunca em outro lugar na história do mundo, a eternidade cruzou a história em um ponto exemplar. O temporal foi atravessado pelo eterno. Desdobrando esta recíproca perfuração entre os dois mundos - história e eternidade, sagrado e profano, juízo e salvação - situada no âmago da religião cristã que a modernidade secularizou, Agamben nos remete aos mais candentes impasses da contemporaneidade. A pergunta chave que Pilatos e Jesus desvenda é: por que o cruzamento entre o humano e o divino, o histórico e o a-histórico, tem a forma de um processo? E que processo é esse? O que é, afinal, um processo sem juízo? E o que é uma pena (neste caso, a crucificação) que não deriva de um juízo formal?

Resenha Editorial

Em 'Pilatos e Jesus', Giorgio Agamben debruça-se sobre uma figura marginal do relato evangélico para revelar nela um nó teológico-político de alcance civilizatório. Com sua característica erudição filológica, o filósofo italiano investiga por que o procurador romano é o único nome pagão perpetuado no credo cristão, transformando um detalhe litúrgico em chave interpretativa da relação entre história e eternidade. O ensaio, breve mas denso, articula direito, teologia e filosofia para questionar a própria natureza do processo judicial sem sentença e da pena sem juízo, temas que ressoam nos dilemas jurídicos e políticos contemporâneos. Trata-se de leitura essencial para quem acompanha o projeto Homo Sacer e busca compreender como a máquina teológica ocidental ainda opera sob nossas instituições seculares.

Guia de Leitura

Tempo de leitura

2h - 3h

Dificuldade

Avançado

Recomendado para

Leitores de filosofia e teologia que apreciam ensaios densos e conceituais sobre poder, direito e sacralidade.

Pontos Chave

Direito e Teologia

  • Analisa o processo de Jesus como paradigma jurídico-político
  • Questiona o que é um juízo sem sentença formal
  • Cruza direito romano e teologia cristã primitiva

Método Agambeniano

  • Filologia rigorosa aplicada a um episódio evangélico
  • Ensaio breve que dialoga com o projeto Homo Sacer
  • Erudição que articula fontes clássicas e modernas

Secularização Moderna

  • Mostra como a modernidade herdou estruturas teológicas
  • Explora o encontro entre eternidade e história
  • Provoca reflexão sobre poder, verdade e julgamento

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o tema central do livro?
O encontro entre Pôncio Pilatos e Jesus como cruzamento paradigmático entre história e eternidade, direito e teologia. Agamben investiga a natureza de um processo sem juízo formal.
Para quem este livro é recomendado?
Para leitores interessados em filosofia política, teologia e nos estudos de Agamben sobre poder e exceção. Também atrai quem busca reflexões sobre direito e sacralidade.
O que torna esta obra especial?
A originalidade está em transformar uma figura secundária dos Evangelhos em eixo de uma reflexão sobre justiça, verdade e secularização. É um ensaio curto porém filosoficamente denso.

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